GUSTAVO MATIAS
MCT | Matias Coffee Trading
Semana: 15 a 19/06/2026
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O Arábica estava numa longa sequência de alta nos últimos dias até fechar a sexta-feira em baixa mais forte um pouco, -1,51%. Apesar da força que vinha mostrando o repasse no físico foi mais tímido, diferenciais alargaram muito.
Houve uma forte liquidação do contrato de Julho N, foram mais de 35 mil contratos em poucos dias, movimento que pode ter contribuído para a alta na bolsa.

Na tela todos acompanhando agora o contrato de setembro que fechou a quinta-feira em 267,80 c/lb, a bica corrida do arábica no índice CEPEA próximo de R$ 1.500,00 por saca, no mercado algumas empresas pagando um pouco mais.
Para o Robusta que também vinha numa sequência de alta que também foi interrompida e fechou na quinta-feira o contrato de setembro a 3.592 USD/Ton. O índice CEPEA aponta R$ 1.025,96 para tipo 6, peneira 13 acima, com 86 defeitos.
Também não diferente do arábica, o robusta liquidou quase 13 mil contratos de julho nos últimos dias, o que poderia ter gerado essa distorção no preço da tela.
O dólar subiu 10 centavos aproximadamente, fechou a semana em R$ 5,1518. Os Estados Unidos manteve a linha dura e apostou em juros elevados por mais tempo na economia americana, aumentando a atratividade do dólar em relação a moedas emergente como o Real.
Devido ao feriado não tivemos COT na sexta-feira e será publicado na segunda-feira, estamos de olho nas posições dos agentes da cadeia para monitorar de perto o comportamento do mercado.
O mercado tem discutido exaustivamente o tamanho da safra brasileira, as estimativas giram próximas de 72 milhões de sacas e o debate normalmente se resume se haverá oferta suficiente ou não.
Tem um detalhe importante acontecendo, que me parece ser uma percepção do mercado e está refletindo nos diferenciais.
A bolsa negocia a base de preço que vemos todo dia, mas o mercado físico negocia qualidade, peneira, bebida, defeitos, origem e disponibilidade, os diferenciais parecem estar contando uma história interessante no momento sobre a safra brasileira.
As chuvas durante a colheita vêm causando dificuldades em diversas regiões produtoras. Café caiu no chão, lotes secaram mais lentamente, terreiros receberam chuva durante o processo de secagem e parte do café que ainda estava nas plantas sofreu perda de qualidade, além de atrasos do fluxo de mercadoria.
Ao mesmo tempo relatos indicam uma porcentagem menor de peneiras mais altas. Muitas cooperativas e exportadores passaram a focar mais em cafés 14/16 e Moka, enquanto ofertas de 17/18 continuam relativamente mais escassas e caras.
(Destaque positivo para Zona da Mata, relatos apontam percentuais de peneira 17/18 superiores a 30%, uma safra grande concentrada na região e com elevado percentual de graúdos.)
O resultado dessa combinação começa a aparecer claramente nos diferenciais.
Cafés Fine Cup estão sendo negociados com prêmios expressivos sobre a Bolsa de Nova York, até 50/60 dias atrás negociávamos 17/18 a diferenciais negativos, hoje exportador pede +15 até +22, e os Good Cups trabalham em níveis significativamente mais baixos, 25 a 30 centavos mais barato.
Miúdos FC atualmente trabalhados a +5 a +8 enquanto GC foram reportados a -30 c/lb, uma diferença muito considerável.
Isso é muito mais do que uma simples variação comercial, é o mercado atribuindo valores diferentes para qualidades diferentes.
A mensagem parece clara sobre a disponibilidade de qualidade para o momento no Brasil. A discussão sobre o tamanho de safra talvez nem seja o mais importante agora, o café existe e será colhido, o mercado físico está atendo em outra variável, a qualidade.
Existe um detalhe importante que merece atenção, ainda estamos observando os primeiros momentos da colheita. Grande parte dos cafés mais tardios ainda não entrou plenamente no mercado e uma parcela relevante da safra ainda está em processo de colheita, secagem e beneficiamento.
Por isso seria precipitado concluir que a safra brasileira terá necessariamente falta de Fine Cups, o spread atual entre Fine Cup e Good Cup pode estar refletindo uma dificuldade temporária provocada pelas chuvas e pelos desafios naturais do início da colheita com chuvas.
À medida que os trabalhos avancem e novos lotes cheguem aos armazéns, a qualidade média disponível poderá melhorar significativamente, essa talvez seja a principal dúvida do mercado neste momento.
O spread entre Fine Cup e Good Cup está mostrando um problema estrutural da safra ou é apenas uma reflexo temporário de uma colheita que ainda está em andamento? A resposta ainda não existe.
Outro detalhe importante é que o Conilon compete diretamente com a disponibilidade de resíduo de arábica, o que pode criar um desafio no futuro para ambas as espécies.
De qualquer maneira os diferenciais estão enviando um sinal que merece ser observado com atenção, o mercado parece confortável com o volume da safra brasileira, mas ainda não demonstra o mesmo conforto com a qualidade que está chegando até agora, nos próximos meses teremos uma resposta mais clara.
Até lá o spread entre Fine Cup e Good Cup talvez seja um dos indicadores mais interessantes para acompanhar.
Boa semana,
