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2º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico na Cultura do Café comprova a importância da sustentabilidade na cafeicultura

CARLOS ARANTES CORRÊA
Engenheiro Agrônomo e Diretor da Revista Attalea Agronegócios
carlos@revistadeagronegocios.com.br


A Revista Attalea Agronegócios é parceira de mídia do
Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico na Cultura do Café.

Com a proposta de divulgar as práticas adotadas no Manejo Consciente do café, aprofundando na cafeicultura orgânica, na cafeicultura convencional conservativa, no manejo biológico e proteção ao meio ambiente, adequando a produção de cafés às exigências do mercado consumidor, bem como para as futuras gerações, foi realizado no último dia 10 de novembro, na Arena Cerrado, do Parque de Exposições “Brumado dos Pavões”, em Patrocínio (MG), o 2º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café.

Idealizado pelo Engº Agrº Alessandro Guieiro, cafeicultor, especialista em Microbiologia do Solo e diretor da AG Consultoria e Pesquisa Agronômica, o simpósio reuniu cerca de 370 participantes de 45 municípios brasileiros, 8 estados da Federação, bem como 4 países, entre cafeicultores, pesquisadores, consultores de campo, bem como consultores de empresas que atuam na cadeia produtiva da cafeicultura.

“Precisamos ter consciência de que o futuro que sonhamos depende das decisões tomadas hoje. Que estejamos todos cientes de que, sempre que tomamos decisões que vão contra a natureza, nós vamos perder. Todos nós devemos cuidar dos nossos solos, respeitar o ambiente de produção. Temos sob a nossa responsabilidade a função de alimentar o Mundo, cultivando em nossos solos as diferentes culturas. Com conhecimento e práticas agronômicas saudáveis podemos, em um mesmo ambiente, termos alta produtividade com alta qualidade”, explicou Alessandro Guieiro.

O idealizador do evento Engº Agrº Alessandro Guieiro, cafeicultor, especialista em Microbiologia do Solo e diretor da AG Consultoria e Pesquisa Agronômica.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).
Alessandro Guieiro discursa na abertura do 2º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

Em suma, o simpósio apresentou técnicas que ajudam a conservar o meio ambiente pensando a longo prazo, de uma maneira saudável e consciente. Além disto, discutiu pesquisas e projetos através de cases de sucesso para redução de poluição, emissão de CO2, sequestro de carbono e planejamento da redução e eliminação gradativa e total de agrotóxicos nos alimentos.

Com uma estrutura impecavelmente organizada, respeitando todos os protocolos sanitários exigidos, com palco, som, imagem, recepção e orientações aos participantes, o evento primou, acima de tudo, à troca de experiências, ao reencontro entre profissionais que atuam em cidades mais distantes e promover a difusão do conhecimento.

PALESTRAS

Taissara Abdala Martins (Gerente de Marketing e Sustentabilidade do Cafés Nestlé) abriu o 2º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café abordando o tema “Sustentabilidade: uma Tendência Irreversível”.

Taissara Abdala Martins (Gerente de Marketing e Sustentabilidade do Cafés Nestlé).
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

Nossa proposta foi o de trazer um pouco a percepção do consumidor em relação à sustentabilidade. Porque a gente sabe que o consumidor, de alguma forma, ele dita regras. Então, a partir do momento em que o consumidor se mostra interessado neste tema e vem exigindo das marcas, cada vez mais, evolução, automaticamente vai impactar no produtor rural. Desta forma, a ideia de estarmos neste simpósio era o de trazer esta referência, mostrando a forma como o consumidor brasileiro está se engajando com o tema e como isto se tornou uma tendência irreversível. Pois a gente acredita que sustentabilidade é inegociável. Antigamente, a gente poderia dar o luxo de trabalhar a sustentabilidade por prazer. Agora é uma obrigação. Não tem como mais a gente produzir café da mesma maneira. Esta tendência da agricultura conservativa, tudo isto veio para ser a solução que o Mundo precisa”, explicou Taissara Martins.

Com relação à atual situação de mercado do café, levando em consideração todos os reflexos de uma pandemia mundial, adversidades climáticas severas em todo o cinturão do café no Brasil, quando perguntado por mim sobre como a Nestlé trabalha a questão sustentabilidade no tocante ao cafeicultor e ao consumidor, Taissara afirmou que “automaticamente, estas exigências precisam refletir no relacionamento comercial com os cafeicultores. Contudo, é claro que não podemos trazer uma nova exigência para a mesa, sem trazer nenhum suporte ou nenhum apoio. Mas precisamos entender que para que este novo modelo se torne um padrão, comum a todos as fazendas, o cafeicultor precisa de apoio, inclusive nas negociações comerciais. E, por outro lado, não pode haver pressas absurdas de prateleiras se o cafeicultor não consegue investir na produção.

CASE DE SUCESSO

O primeiro case de sucesso foi apresentado por André Cunha (cafeicultor, empresário, diretor da Fazenda Bela Época Cafés Especiais e Orgânicos, diretor da Bela Época Sementes e Mudas de Café, além de vice-presidente da AMSC – Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Região da Alta Mogiana). André apresentou suas experiências com a cafeicultura em sua propriedade no município de Ribeirão Corrente (SP), Região da Alta Mogiana, enfatizando a importância da Cafeicultura Biológica Conservativa, mas mostrando a importância do controle de nematoides e fusarioses no cafeeiro.

André Cunha (cafeicultor, empresário, diretor da Fazenda Bela Época Cafés Especiais e Orgânicos,
diretor da Bela Época Sementes e Mudas de Café, além de vice-presidente da
AMSC – Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Região da Alta Mogiana)
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(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).
André Cunha discursa no 2º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

“Esta segunda edição do simpósio vem mostrar que a agricultura e, em especial, a cafeicultura, que ela tem que evoluir de forma sustentável. Então, nós não somos contra o uso de produtos químicos no cultivo do café. Mas nós sabemos que a aplicação de produtos biológicos na agricultura é um caminho sem volta. Isto vai trazer um benefício grande não somente para nós, agricultores, mas também para o meio ambiente e para o consumidor final”, explicou André Cunha.

Pela sua experiência no cultivo orgânico na cafeicultura, André apresentou um panorama da sua experiência. “Posso afirmar que, por um bom tempo, nós não tínhamos tantas ferramentas como existem atualmente. Mesmo que a gente quisesse era muito difícil conseguir produzir. A partir da demanda do consumidor final, grandes empresas investiram no desenvolvimento de produtos biológicos e sustentáveis. Isto, hoje, representa uma facilidade enorme para nós agricultores. Em termos de custo-benefício, posso afirmar que não há uma diferença substancialmente muito grande não. Mas, a qualidade do produto final, a qualidade de vida da minha família, dos meus colaboradores, e do consumidor final é o que importa”, ressaltou André Cunha.

O segundo Case foi apresentado por Jean Vilhena Faleiros, cafeicultor no município de Ibiraci (MG), de uma família com mais de 100 anos no cultivo do café. A sua apresentação teve como foco a sua experiência com a Cafeicultura Biológica Conservativa, com a produção de cafés sustentáveis e o manejo biológico na construção do solo

Jean Vilhena Faleiros, diretor do Grupo ElDorado e cafeicultor em Ibiraci (MG), apresentando “Case de Sucesso”.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).
Jean Vilhena Faleiros no 2° Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico na Cultura do Café.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

“A importância do café sustentável vai muito além. É uma mudança de cultura para o cafeicultor. Ele tem que entender a importância de tratar o seu meio, a sua terra, cuidando do seu solo, de toda a parte orgânica, de toda parte biológica, equilibrando o sistema, usando cada vez menos agroquímicos. Só para ter ideia, o Grupo ElDorado não trabalha com glifosato há dois anos, já que ele é um esterilizador de solo. Então, o café sustentável é uma soma de tudo isto aí. E quem mais vai ganhar é a saúde humana, a natureza. É uma prática que veio para ficar e vai crescer cada vez mais”, afirmou Jean Faleiros.

O último Case foi apresentado pelo Engº Agrº Marcelo Cocco Urtado, diretor da Fazenda Três Meninas. Mestre em Gestão Ambiental e Arborista, Certificado Internacionalmente pela International Society of Arboriculture, Marcelo dividiu com os participantes um pouco de sua experiência com as ferramentas para produção responsável de cafés diferenciados.

Engº Agrº Marcelo Cocco Urtado (Diretor da Fazenda Três Meninas).
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

Terceira geração de cafeicultores, a Fazenda Três Meninas encontra-se instalada em Monte Carmelo (MG) e desde 2016 a proposta instalada por Marcelo Urtado foi a de uma gestão humana com atitudes equilibradas, valorização dos colaboradores e compromisso com a cadeia produtiva. “Juntos com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), implementamos a economia hídrica, a sincronização da florada e a qualificação da lavoura. Adotamos terreiros suspensos além de estrutura de pós-colheita que garantem lotes cuidadosamente beneficiados na fazenda. A sustentabilidade está nos nossos valores. Somos certificados UTZ e Rainforest que atestam as melhores práticas sociais e ambientais.Executamos o manejo preventivo com adubação verde e biológica, uso de fertilizantes orgânicos e não utilizamos nenhum herbicida”, explicou Marcelo.

Marcelo foi ainda mais enfático sobre a importância da implantação de ações de sustentabilidade nas propriedades cafeeiras. “Em minha propriedade, adotar a sustentabilidade foi uma coisa natural. Mas foi tudo técnico, na ponta do lápis, pois o cafeicultor precisa do equilíbrio financeiro da fazenda. O equilíbrio traduz em reduzir custo de pulverização e aumento de produção. Em minha região temos uma praga-chave que é o Bicho-Mineiro e uma praga-secundária que é a Broca-do-Café. Com o plantio de árvores nativas que implantamos na propriedade, vamos “perder” cerca de 9% de área. Só que, com estas árvores “trabalhando”, há estudos que comprovam que elas aumentam a produtividade do café. Então, inicialmente, a conta é econômica. Agora, além disto, há outros benefícios importantes, como a produção de água, equilíbrio ambiental, redução nos custos de irrigação com a implantação de quebra-ventos, menor dispersão de doenças. Não é uma filosofia ambiental, nada contra ela. Mas foi tudo muito técnico. Plantamos Ingá, dois tipos de Fedegoso, a Erva-Baleeira. Todas espécies que fazem parte da pesquisa de ponta da Madelaine Vezon (EPAMIG), que comprovam a eficácia de atração de inimigos naturais que auxiliam no controle das principais pragas do cafeeiro. Tem todo um planejamento. Considero que esta técnica seja uma “fábrica de insetos”. Vou diminuir a movimentação de máquinas para pulverização. A princípio, parece ser uma loucura. Mas, foi tudo na ponta do lápis”, explicou Marcelo Urtado.

NEMATOIDES

Dando continuidade nas palestras técnicas, coube a Inorbert Melo Lima, pesquisador do INCAPER (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), a apresentação esclarecedora sobre o tema “Controle Biológico de Fitonematoides”.

Inorbert Melo Lima, pesquisador do INCAPER (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural).
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

Servidor público e pesquisador do INCAPER há mais de 15 anos, Inorbert desenvolve pesquisas envolvendo a interação entre nematoides e raízes do cafeeiro, bem como a ação de bionematicidas para o controle de nematoides.

“A ideia deste simpósio foi discutir os organismos vivos, como bactérias, rizobactérias e até mesmo fungos, que são utilizados para o controle destes parasitas, desde a fase de ovos, juvenis e até mesmo adultos. É uma tecnologia que vem crescendo na faixa de 15% ao ano e busca atender uma necessidade de mercado e uma exigência do produtor rural, que é a redução do uso de agroquímicos no controle de pragas e doenças nas lavouras. Podemos dizer que esta tecnologia vem contribuir para uma agricultura mais sustentável. A proposta é fazer com que estes organismos criem vida ao solo. O solo vai deixar de ser apenas químico e físico para ser biológico. Com isto, garantimos qualidade de vida ao agricultor, aos seus colaboradores e aos consumidores, bem como, a médio e longo prazo, garantindo um solo que pode ser deixado às próximas gerações”, explicou Inorbert Lima.

Aproveitando a oportunidade, perguntei ao pesquisador capixaba por que somente o Estado de São Paulo publicou normatização para a produção e comercialização de mudas de café visando o controle de nematoides. “Qualquer mudança de legislação causa impacto no setor e incomoda muita gente. Minha pergunta é: o Estado de São Paulo seria um dos maiores produtores de cana de açúcar no Brasil se não tivesse implantado maquinário na colheita? Não seria. Lembro que, na época, muitos questionavam o impacto social. Mas, hoje, estamos colhendo os frutos de uma decisão tomada lá atrás. Com relação a esta legislação em São Paulo, de se retirar o solo na produção de mudas de café, pode parecer estranho, pode aumentar os custos. Mas pergunto: para o viveirista, existe produto para tratamento de solo? Não tem. Não se pode mais usar o Brometo de Metila. Assim, o viveirista ficou entregue a própria sorte. Se ficar constatado contaminação com nematoide, todas as suas mudas serão eliminadas pela Defesa Agropecuária. Desta forma, quando o viveirista retira o solo e passa a utilizar substrato comercial, ele elimina o risco de ter um solo contaminado. Quem vai ganhar? A cadeia produtiva do café, que vai ter uma muda mais garantida em termos de sanidade. Aí você pergunta os motivos pelo qual os demais Estados da Federação não adotaram ainda esta medida. O Estado de São Paulo sempre foi pioneiro. Sempre foi. Mas os demais Estados estão discutindo a necessidade desta legislação. Há tempos eu participo de discussões em Rondônia para a retirada do solo na produção de mudas de café. E no Estado do Espírito Santo começamos agora esta discussão”, finalizou Inorbert.

CONTROLE BIOLÓGICO

Presencialmente, a Engª Agrª Lívia Emanuelle Simão de Oliveira, mestranda na área Controle Biológico, departamento de fitopatologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA), com pesquisa principalmente sobre café e soja (Fitopatógenos: Nematoides, fungos e bactérias), juntamente com Engº Agrº Flávio Medeiros (de forma virtual), doutor em Bioquimica e Patologia de Plantas pela Universidade do Texas e também professor adjunto da Universidade Federal de Lavras (UFLA), discorreram no Simpósio sobre o tema: “Controle Biológico aplicado à Patógenos Radiculares”.

A pesquisadora da UFLA – Universidade Federal de Lavras, Lívia Emanuelle Simão de Oliveira.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

Lívia e Flávio apresentaram resultados de pesquisa desenvolvidas na Universidade Federal de Lavras (UFLA), com diversas amostras de raízes de cafeeiros de várias regiões brasileiras do cinturão do café, que comprovam uma “associação” entre as ações danosas nas raízes do cafeeiro de várias espécies de nematoides, que acabam beneficiando a entrada e os danos causados pelo fungo Fusarium.

CONTROLE BIOLÓGICO CONSERVATIVO

Extremamente importante, também, foi a apresentação da Engª Agrª Madelaine Vezon, pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) e coordenadora do programa estadual de pesquisa em Agroecologia. Doutora em Biologia Populacional pela Universidade de Amsterdam e com Pós-Doutorado na Universidade da Califórnia, Madelaine desenvolve, desde o ano 2000, estudos sobre controle biológico conservativo, alinhados aos objetivos do Programa Estadual de Pesquisa (PEP) em agroecologia.

Engª Agrª Madelaine Vezon, pesquisadora da EPAMIG.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

“Trabalho com Crisopídeos cerca de 30 anos, quando comecei o meu mestrado na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Trabalho com uma perspectiva mais ampla, de conservar estes insetos. Não pensando em liberação de insetos. Mas, como são predadores bastante generalistas, que se alimentam de diversos tipos de presas e de alimentos derivados de plantas, a gente tem uma oportunidade muito grande de aumentar as populações que já existem no campo. E, em nossos trabalhos, descobrimos que, além de se alimentarem do Bicho-Mineiro, eles conseguem acessar as galerias da Broca-do-Café. Nós já tínhamos resultados da ação de Crisopídeos em Ácaros e Cochonilhas. Então, eles conseguem se alimentar de uma gama enorme de pragas que ocorrem no café. Publicamos os resultados destas pesquisa desde o ano 2000. Queremos incentivar mais, principalmente via conservação. Na implantação do Controle Biológico Conservativo, não há uma “dependência de liberação de insetos”. Manejamos o habitat, mudamos o desenho da propriedade. Uma vez estabelecidas as árvores, as coberturas, não haverá mais custos”, orientou a Drª Madelaine.

TECNOLOGIA E MANEJO SUSTENTÁVEL

Coube ao Drº Antônio Luis Santi, Professor e Pesquisador na UFSM – Universidade Federal de Santa Maria, campus de Frederico Westphalen (RS), Doutor em Ciências do Solo pela UFSM, Diretor Técnico da empresa ConnectFARM e sócio da Startup ConnectBIO, apresentar palestra abordando o tema: “Ferramentas Digitais e as Plantas de Cobertura para o Manejo Sustentável do Solo”.

Drº Antônio Luis Santi, pesquisador da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria (RS).
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

Drº Santi apresentou informações extremamente ricas para que o cafeicultor tome a decisão correta em sua propriedade. Principalmente, as relacionadas à importância do correto manejo de solo visando o equilíbrio e a sustentabilidade. E, no final, tudo refletirá também na relação ao custo-produção.

“Poderia resumir em poucas palavras, algumas informações extremamente importantes que o agricultor e, neste caso, o cafeicultor brasileiro precisa rapidamente adotar. Segue a lista: 1) – adotar o sistema de Plantio Direto na íntegra; 2) – implantar o uso da rotação e consórcio de culturas; 3) – construir a fertilidade do solo, diminuindo a variabilidade; 4) – reduzir a compactação do solo; 5) – melhorar a relação Carbono/Nitrogênio, melhorando a adubação nitrogenada; 6) – produzir e acumular palha na superfície do solo; 7) – ativar a biologia do solo, cuidando e monitorando a microbiota do solo; e, por fim 7) – ser persistente, insistir e insistir”, explicou Antônio Luis Santi.

Santi foi, ainda, incisivo ao mostrar um slide com o título: “Grande Desafio: Não Matar Ideias e Frustar Projetos Pessoais” e uma foto de lavoura de café com braquiária na entrelinha. O pesquisador relacionou o que ele mesmo chama de “Check List da Desgraça”, com várias frases ditas por produtores rurais ou consultores quando da proposta de manejo do solo em uma cultura agrícola. Dentre elas: “Isso não vai dar certo”; “Você só pode estar ficando louco”; “Depois a gente conversa”; “Ainda acho que o mercado não está preparado”; “Isto é complicado”…..

Mas, acima de tudo, Drº Santi deixou quatro lições para uma vida, que gostaria de compartilhar com vocês:

  1. – O modelo tradicional de tomada de decisão na agricultura moderna não é suficiente para os avanços produtivos e ambientais necessários;
  2. – Priorizar plataformas com interface acessível. Porém, que integrem inteligência artificial (ciência) que nos ajude a pensar e decidir;
  3. – É preciso ousar, vencer, o imediatismo. A resposta para altas produtividades está no conjunto dos fatores de produção; e
  4. – A saúde do solo depende da eficiência em sequestrar carbono na lavoura. Ela é 5ª Grande Revolução da Agricultura Mundial.

Retratando aqui um pequeno trecho de sua palestra, onde o Drº Santi aborda o fato de que, grande parte das matérias ensinadas na graduação há mais de 20 anos já foram ultrapassadas. E, agora faço aqui a minha percepção profissional. O profissional Engenheiro Agrônomo – e, também por analogia, os cafeicultores tradicionais – precisam “entender” que há muita, mas muita tecnologia nova a ser compreendida e aplicada nas lavouras de café do Brasil. O mundo mudou. A pesquisa é dinâmica. As regras de campo na década de 1980 são obsoletas frente a todo o conhecimento de solo que existe atualmente.

Como Alessandro Guieiro ressaltou a mim, em conversa informal, os profissionais de campo precisam “investir mais em suas carreiras. Há uma responsabilidade muito grande em ser consultor e produtor rural”.

PRODUTOS

Os participantes do 2º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café tiveram a oportunidade ainda de conhecer de perto as principais tecnologias em produtos agrobiológicos e tecnologias de controle biológico desenvolvidas para a cultura do café pelas empresas AgroCP, FMC, Grupo Vittia e Lallemand.

Engº Agrº Douglas Pelegrini Vaz Tostes, Doutor em Produção e Tecnologia de Sementes, Tecnólogo em Cafeicultura Empresarial e Gerente de Desenvolvimento de Mercado da empresa AgroCP.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).
Marcela Borges Tomás Marçal (Gerente de Marketing da FMC).
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).
A Engª Agrª Cibele Facioli Medeiros, Mestre em Genética e Melhoramento Vegetal pela UNESP Jaboticabal,
Gerente de Produtos Biológicos e responsável pelo Desenvolvimento de Mercado do Grupo Vittia.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).
Engª Agrª Kelly Pazolini, Pesquisadora e Gerente de Desenvolvimento de Produto da Lallemand Plant Care Brasil,
doutora em Fitopatologia pela ESALQ/USP – Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz”.
(Créditos: Carlos Arantes Corrêa/Revista Attalea Agronegócios).

PRÓXIMA EDIÇÃO DO SIMPÓSIO

Alessandro Guieiro confirmou a cidade de Franca (SP) como a sede do 3º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico da Cultura do Café, que acontecerá no dia 05 de outubro de 2022. “Considero que conseguimos realizar o Maior Evento da Cafeicultura Sustentável do Mundo. Com muito orgulho e satisfação, quero agradecer a presença de todos os participantes, bem como o apoio de todos os patrocinadores, que muito contribuíram para a organização do evento”

O evento contou com o patrocínio master da AgroCP, Lallemand, FMC e Grupo Vittia. Contou ainda com o patrocínio das empresas: Floema, AG Croppers, Biofertil Brasil, Bionat, Kimberlit, Nativa, Nestlé, LM Café, Fazenda Bela Época, Rural Maq, BioLabras, Grupo Tina, Grupo ElDorado, Café Responsável, Fazenda Juliana, Fazenda Três Meninas, Bernardes State Coffee, Fazenda São Caetano, Aliança Internacional das Mulheres do Café, Rio Brilhante, Cocapil e Solo Vivo.

A organização do evento coube à Versátil Produções e Eventos, com o apoio da Ares Comunicação



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